Personagem secundária

By Abby - 05:11

 Já sentiram que são apenas personagens secundárias na vida das pessoas? 

Que no fundo vocês não são o primeiro foco de ninguém?

Que há muita gente que gosta de vocês mas que vocês não vêm em primeiro, nem em segundo, nem em terceiro...

Que quando estamos tão mal que parece que dói fisicamente, não sentimos que haja alguém que queira ouvir isso, na verdade sentimos que estamos a incomodar. 

Estou cansada de ser uma personagem secundária e de colocar os outros como personagens principais. 

Estou cansada de dar tanto e receber tão pouco.

Estou cansada que não façam por mim aquilo que eu faria por eles. 

Estou cansada destas relações passageiras, onde eu entrego tudo e nada recebo em troca.

O problema será meu? Terei eu de ser uma filha da puta para sobreviver a este mundo?

Eu não quero magoar os outros, eu não quero lhes dar apenas o mínimo, eu não quero que se sintam sozinhos, eu quero apoiá-los, eu quero lá estar, eu quero fazer aquilo que gostaria que fizessem comigo. 

Mas parece que quanta mais atenção dou mais mal tratada eu sou.

Parece que se apercebem das minhas fragilidades assim como eu me apercebo das deles, mas enquanto eu tento ajudar a superar essas fragilidades, eles aproveitam-se das minhas.

Eu queria ser diferente, eu queria ser má pessoa, não me importar com os sentimentos dos outros. E isto porquê? Porque de facto é mais fácil.

Qual é a vantagem de eu entregar tudo a alguém? E qual é a beleza de eu estar sempre com um pé atrás?

Qual é a beleza de não poder confiar em ninguém? Qual é a beleza de ser fria e não demonstrar o que realmente sinto para não me magoar?

Qual é a beleza de me esconder por de trás de uma capa para que as pessoas não me usem? Nenhuma. Não há beleza nisso.

Há beleza na vulnerabilidade, há beleza na demonstração de sentimentos, há beleza na verdade. 

Mas onde há beleza há dor, e eu já estou cansada da dor.

Um bloqueio emocional não é bonito, mas é um mecanismo de proteção para este mundo em que vivemos. Em que qualquer pessoa se cansa de dar tudo e de receber nada. Em que as pessoas ganham medo de se relacionar depois de todos os traumas que já passaram.

Sempre disse que não me permitiria criar um bloqueio emocional, pois apesar de não me permitir sofrer mais, também não me iria permitir viver.

Mas a verdade é que viver custa. Viver é difícil. Viver é doloroso. 

E chega a um ponto em que as pessoas se cansam de tanta dor, se cansam de tamanha dificuldade. E eu cansei.

Até parece que estou a pedir muito, quando no fundo só queria algo verdadeiro, alguém com quem pudesse ser vulnerável sem que essa vulnerabilidade fosse utilizada contra mim.

Queria que me vissem para além de um objeto. Que me vissem como uma pessoa que tem tanto para dar. Que faz tudo por aqueles que gosta (e gosta de todas de todas as pessoas). Que tenta sempre não magoar ninguém, mas como todos acaba por o fazer porque é humana. Mas que procura sempre dar o seu melhor. Que vai até ao fim, até não aguentar mais. Que procura ver a beleza da vida todos os dias apesar de tudo lhe indicar que já não há beleza nenhuma pela qual valha a pena lutar para cá ficar. Só queria que alguém visse e reconhecesse toda a luta que fiz para chegar até aqui. Que visse as asneiras que fui feito pelo caminho e que as interpretasse como uma aprendizagem. Que visse o quanto eu me esforcei para não dar término a tudo. Que visse que me esforço todos os dias para dar o meu melhor e garantir que todos à minha volta estão felizes com isso. Que visse que ponho os interesses dos outros à frente dos meus, mesmo sabendo que isso é errado e me prejudica. Que visse que já não aguento muito mais.


Mas na verdade só querem ver o que está por debaixo da roupa. Só querem saber aquilo que diz respeito ao físico. Não querem sequer conversar ou me conhecer. Não querem saber aquilo que passei. Não querem saber verdadeiramente se estou bem ou mal. Eu só sirvo para uma coisa. 

Eu reconheço o meu valor. E sei que sirvo para muito mais. Sei que tenho imenso para dar e que quem não vir isso é que está errado e não eu. Não interpretem mal o que quero dizer, apenas sinto que apesar de ter tanto para dar, só querem uma coisa. Já me questionei se o problema está em mim. Porque sou eu que permito isso. Porque eu ponho as pessoas como personagens principais, porque eu lhes dou importância, porque eu verdadeiramente quero saber se estão bem ou mal. Mas na verdade eu sou colocada como personagem secundária, não me dão importância, não querem verdadeiramente saber se estou bem ou mal. 

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